Duwid é como chamamos Makunaima no povo Wapixana, irmão de Tuminkery, seres criadores do mundo em que vivemos. Em 2028, a rapsódia Macunaíma, de Mário de Andrade, completará cem anos, e este filme de animação se insere nesse marco não como celebração do livro modernista, mas como deslocamento crítico. Na ficção de Andrade e seus desdobramentos, Macunaíma foi submetido a sucessivos processos de descontextualização: foi batizado e tornou-se, peças de teatro, filmes, músicas, discos, rapsódias, romances, contos e poesias. A plenitude dessas produções, no entanto, raramente foi vista ou acessada por pessoas indígenas — tampouco pensada para elas. Em Makunaima é Duwid, Bete, uma universitária de origem Wapixana dialoga com sua avó sobre as histórias de Duwid. O filme se coloca nesse debate como um direito à anterioridade à continuidade dessas narrativas. Aquilo que, na cultura brasileira, foi consagrado como herói literário, nas culturas indígenas é avô e avó, presença viva nas histórias, nos territórios e nas lutas.
Duwid Tuminikiz – Makunaima é Duwid?