Futuro Lixo

O filme se constrói a partir de distorções visuais e sonoras que observam experiências da vida coletiva, acionando gestos cotidianos ligados ao consumo, ao descarte e à tentativa frustrada de reparação. A natureza que é violentada, insiste em sua beleza, ao mesmo tempo que surge distorcida, artificial, saturada, quase inabitável, tensionando o registro documental. O som opera por deslocamento: um jogo clássico de futebol atravessa grande parte do filme, funcionando como medida simbólica do tempo, evocando um tempo histórico repetido e mitificado, ao mesmo tempo em que dialogam com as propagandas na velocidade do consumo e com o ritmo em que o lixo é produzido e acumulado. Futebol, lixo e consumo tornam-se formas de medir o tempo, um tempo não linear, marcado pela repetição de projetos coletivos de futuro. O filme não sugere resolução, convoca à inquietação.